Notícias vindas do Distrito Federal relatando o julgamento de uma chacina, com réus trocando acusações e desmentidos em pleno tribunal, reacendem o debate sobre a capacidade, ou incapacidade, do sistema de justiça criminal brasileiro de oferecer respostas minimamente satisfatórias a crimes de altíssima gravidade. A coreografia processual, conhecida de criminólogos e advogados, repete-se: anos entre o fato e o julgamento, sucessão de recursos, memória desgastada das testemunhas, famílias de vítimas e réus expostos a sucessivas retraumatizações.
A confiança social na justiça penal, já abalada por percepções de seletividade e impunidade, sofre ainda mais quando casos emblemáticos se arrastam sem desfecho claro. A sobrecarga do Judiciário, a carência de defensores públicos, a desigualdade de acesso a uma advocacia qualificada e a ausência de uma política consistente de proteção à testemunha compõem um cenário em que a verdade judicial, essa narrativa que o sistema produz ao fim do processo, frequentemente se afasta da verdade histórica e da verdade subjetiva dos envolvidos. A chacina julgada hoje é, ao mesmo tempo, um caso específico e um espelho de centenas de outros espalhados pelo país.
O Portal INFOCO, com suporte da HostingPress Agência de Notícias, não se resigna a tratar essas tragédias como notas de rodapé criminais: entende-as como sintomas de uma estrutura que precisa ser repensada de alto a baixo, se o país quiser, um dia, aproximar justiça e paz.
Marcelo Henrique de Carvalho, editor-chefe
Portal INFOCO
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