As manchetes que descrevem a “rotina de mortes” no Anel Rodoviário de Belo Horizonte, somadas a relatos de acidentes fatais em rodovias federais, recolocam nesta quinta-feira um tema recorrente e nunca resolvido: a segurança viária no Brasil, país que figura entre os líderes mundiais em número absoluto de mortes no trânsito. O Anel Rodoviário, importante corredor de escoamento de cargas e de ligação entre bairros e cidades da região metropolitana, há décadas acumula estatísticas de colisões, atropelamentos e tombamentos de caminhões, numa demonstração de que infraestrutura deficiente, excesso de velocidade, fadiga de motoristas e ausência de fiscalização sistemática constituem uma combinação letal.
Embora o Código de Trânsito Brasileiro tenha sofrido atualizações relevantes, e campanhas de educação tenham sido recorrentes, a persistência do problema indica que a abordagem segue aquém do necessário. Programas de duplicação de pistas, construção de passarelas, instalação de radares e revisão de normas de descanso de caminhoneiros são anunciados pontualmente, mas raramente implementados com o grau de continuidade que uma política pública estruturante exige. A cada acidente de grande repercussão, a opinião pública se indigna; passado o luto, a normalidade se restabelece — normalidade que inclui, paradoxalmente, as mortes.
O Portal INFOCO, com suporte da HostingPress Agência de Notícias, insiste em tratar a segurança viária não como fatalidade estatística, mas como questão política, econômica e ética de primeira ordem, porque cada cruz na beira da estrada é, antes de tudo, o nome de alguém que poderia ainda estar vivo.
Marcelo Henrique de Carvalho, editor-chefe
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