Os resultados do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) divulgados em março de 2026 confirmam o que educadores e pesquisadores vinham sinalizando desde o retorno às aulas presenciais: o déficit de aprendizagem imposto pela pandemia de Covid-19 não foi superado e, em determinados indicadores, aprofundou-se de forma preocupante. Em leitura e interpretação de texto, apenas 42% dos alunos do 5º ano do ensino fundamental demonstram proficiência adequada à sua etapa de escolaridade, percentual que recua para 38% entre os estudantes do 9º ano. Em matemática, os números são ainda mais alarmantes: menos de um terço dos concluintes do ensino médio atingem o nível considerado satisfatório pelo próprio Ministério da Educação. A desigualdade regional impõe camadas adicionais de complexidade ao diagnóstico: enquanto estados do Sul e do Sudeste apresentam indicadores significativamente melhores, o Norte e o Nordeste concentram os piores resultados, reflexo de décadas de subinvestimento em infraestrutura escolar, formação docente e políticas de valorização do magistério. O Programa Nacional do Livro e do Material Didático (PNLD) e os programas de formação continuada de professores existem e funcionam, mas especialistas em política educacional apontam que a fragmentação das iniciativas, a descontinuidade administrativa e a ausência de metas de longo prazo vinculantes comprometem sua eficácia estrutural. A aprovação do novo Plano Nacional de Educação, cuja tramitação no Congresso Nacional se arrasta desde 2024, torna-se, nesse contexto, uma urgência que transcende a disputa política e alcança o terreno dos direitos fundamentais da criança e do adolescente brasileiro.
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Marcelo Henrique de Carvalho, editor-chefe
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